Jun 05 2008
Você pode proteger o meio ambiente
Você pode!
Não é preciso ser uma personalidade mundial para proteger o meio ambiente. Desnecessária a doação de toda uma existência a uma causa nobre, como a destruição das baleias, a pregação contínua em tempo integral, o domínio da mídia ou um vasto contingente de fiéis seguidores.
Cada pessoa pode, no universo em que habita, contribuir para tornar um mundo melhor. Esse é um exercício cívico, um exercício de cidadania. Dispensável a vocação heróica. Basta acreditar na causa. E para crer, basta convencer a vontade. Assim se constrói a democracia. Sem participação da cidadania, não há necessidade de regime democrático.
Às vezes pode-se pensar que as atuais gerações não lutaram muito para conseguir o regime de liberdade hoje a todos garantido. Mas o que se está fazendo dessa liberdade? Como estou vivenciando o meu Estado de Direito de índole democrática?
A luta pela preservação do ambiente pode ser um compromisso de vida. Justificar uma existência. Dar-lhe qualidade e intensidade. É um projeto permanente, que transcende os interesses imediatistas e egoísticos, para alcançar até as mais longínquas gerações. Nem estaremos aqui, mas teremos garantido uma vida melhor à posteridade. A vivência democrática dá sentido a qualquer vida.
Posso não ser capaz de, sozinho, salvar a Amazônia. Tenho condições, porém, de salvar uma árvore. Aquela que é maltratada defronte à minha casa e cuja destruição assisto impassível. Quem conseguir salvar uma só árvore, está salvando a flora inteira.
Talvez nunca possua as condições ideais para assumir a batalha de salvação do mico-leão. Mas posso alimentar o sabiá que procura alimento junto à minha janela. Se não possuo área para reflorestamento, ao menos posso exigir o replantio de árvore nas ruas, a conservação de praças e jardins, coibir sejam molestados os vegetais e os animais. Impedindo, com isso, o desaparecimento a longo prazo da minha própria espécie.
Cada qual encontrará a melhor forma de atuar para que o mundo não seja, num futuro não remoto, um deserto fuliginoso e morto.
Há um pressuposto válido, suscetível a estimular a atuação ambientalista: não posso compelir o governo a fazer o bem ambiental, mas sou capaz de impedi-lo de praticar o mal ecológico.
Junto ou sozinho? Mesmo quem alega não dispor de tempo, sempre encontrará alguns minutos para ofertar à causa ambiental.
Suponha-se a ausência de qualquer possibilidade de trabalho conjunto. Ainda assim, há sempre espaço e condições para uma postura ambientalmente correta.
Transcrito de NALINI, José Renato. Ética Ambiental. 2ª ed. Campinas, SP: Ed. Millenium Ltda., 2003. p. 233 a 255.
Fonte: Instituto Nina Rosa
